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Expectativas desfavoráveis para a economia brasileira este ano

A primeira reunião da Acij (Associação Empresarial de Joinville) com os associados neste ano apresentou um panorama sobre a economia nacional com projeções para 2014. Quem falou sobre o assunto foi o economista do Banco Safra Marco de Marchi. Durante a palestra, ficou claro que o Brasil deve enfrentar um ano difícil, com crescimento do PIB estimado em 1,8%.

124732_ext_arquivoAntes de falar sobre a situação do país, De Marchi apresentou um breve cenário sobre as principais economias mundiais, como Estados Unidos e Europa. A indústria mundial, segundo ele, mostra recuperação da crise de 2008. Mesmo a produção tendo caído nestes dois primeiros meses, o panorama ainda é de expansão da indústria mundial.
“O movimento de recuperação global está sendo puxado pelos países desenvolvidos neste momento, ao contrário do que ocorreu logo nos primeiros anos da crise, em que os países emergentes tiveram destaque na economia global”, disse De Marchi, acrescentando ainda que o crescimento do PIB mundial em 2013 foi de 2,5% e para este ano se espera um crescimento de 3%. O principal mercado a colaborar com esta recuperação é a Europa, apesar de apresentar crescimento para este ano inferior ao dos Estados Unidos. Já os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul), crescerão menos em 2014. “A Europa é a surpresa e apresenta crescimento ao longo dos últimos trimestres, apesar de ainda ter um nível de desemprego alto”, comentou Marchi.
Mas enquanto os países europeus e os Estados Unidos se recuperam, a China está apresentando sinais de dificuldades. Segundo Marchi, é um país que tem grandes chances de afetar o crescimento global, mesmo tendo a estimativa de PIB de 7% para este ano.

No cenário nacional, 2014 será um ano preocupante para a economia. Em 2013, o PIB teve crescimento de 2,3% e a perspectiva para este ano gira em torno de 1,8%. A indústria brasileira não apresenta bons resultados e está pouco confiante. “Tivemos uma melhora em 2010, mas agora a confiança caiu novamente”, relatou.
Já o consumo tem aumentado nos últimos anos, em especial no comércio varejista. A taxa de desemprego e a massa salarial real também mostraram índices positivos, o que é uma boa combinação para o comércio.

Desaceleração no consumo

Para este ano, espera-se uma desaceleração do consumo, conforme Marco de Marchi, economista do Banco Safra, devido ao mercado de trabalho que está perdendo o fôlego nos últimos meses. O consumidor não está mais tão confiante, o que faz com que as concessões de crédito venham caindo. “Ao mesmo tempo em que diminui a tomada de crédito, nota-se a diminuição da inadimplência. Com isto, nota-se que a diminuição da concessão de crédito é reflexo do aumento das taxas de juros que começam a chegar ao tomador.”

Quando se trata de investimentos é que os economistas estão mais pessimistas. “Em meio a um fraco desempenho da indústria e menor ímpeto pelo consumo, as perspectivas para investimentos não são muito positivas”, alegou De Marchi.
Outro fator que pode influenciar negativamente a economia brasileira é a crise vivenciada pela Argentina, que representa 8% do mercado brasileiro de exportações. “O país é o nosso filé mignon das exportações, porque para lá são exportados produtos de maior valor agregado, comparado a outros mercados, como a China. E a crise da Argentina pode trazer consequências para nossas exportações.”