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Colunista da The One Magazine, Sandro Rebelo, viaja 8.150 quilômetros em moto de 150 CC

A partir desta edição e por mais duas consecutivas, vamos contar a aventura vivida pelo nosso colunista de informática Sandro Rebelo. Acompanhe todos os detalhes desta história real que aconteceu em dezoito dias seguidos em diversas cidades brasileiras.

Tudo começou em Magé, cidade do interior do Rio de Janeiro, cercada pela Serra dos Órgãos, quando o nosso colunista, Sandro Rebelo, despertou seu desejo de viver grandes aventuras sobre duas rodas, inicialmente em cima de uma moto de 150 CC. E foi no relato de alguns amigos que Sandro encontrou o que precisava para tirar os pés do chão e se lançar na estrada para dar vida ao seus desejos e sonhos.

A viagem foi narrada em capítulos e teve início no dia 10 de janeiro. Perguntamos ao Sandro o que o levou a viajar em cima de uma moto que não é usual para grandes viagens, respondendo o seguinte:

– “O que me motivou, na verdade, foi à aventura, a busca e o aprendizado conquistado para outras aventuras nos próximos anos. Além disso, gosto de viajar por minha conta e não por meios de histórias, imagens, livros ou TV. Preciso viajar por mim, com meus olhos e pés, para entender e conhecer, fazer minhas próprias histórias.”.

Perguntamos-lhe, também, como uma pessoa se dispõe a fazer uma viagem tão complicada e tão arriscada, embora cheia de cuidados e planejamentos, por estradas desconhecidas do nosso Brasil.

A resposta foi bem simplificada:

-“Uma viagem sob duas rodas, é uma conquista a cada quilômetro rodado, por mais que se programe, pode acontecer algo inesperado, ainda que por uma rota própria ou definida, sempre é uma aventura que se faz à deriva. Eu já vivi algumas, e por mais que se ande pelos mesmos caminhos nunca é igual.”

The One Magazine publica a seguir o relato dos 18 dias seguidos que o colunista rodou pelas estradas brasileiras. Ele percorreu a rodovia 040, passou pela Chapada dos Veadeiros em Goiás, seguiu para Belém do Pará, de lá foi para Natal/RN com parada nas dunas de Canoa Quebrada em Aracatí/CE, seguindo rumo em direção a BR 101 indo para Vitória/ES e retornando para casa, colecionando amigos e histórias pelo caminho.

Acompanhe agora a viagem contada pelo próprio Sandro.

Primeiro Dia (10/01) – Iniciei a viagem por volta das 11h, já abastecido e na correria pra ganhar tempo na estrada. Comecei a pegar chuva ainda na serra de Petrópolis, apesar de fraca, que me acompanhou até quase a divisa com Minas Gerais. Quando estava próximo a Congonhas voltou a chover me fazendo trafegar pela estrada com muita lama. Já em Belo Horizonte, cheguei a vir o sol antes de se esconder atrás das nuvens. No inicio da noite, procurei um canto para descansar um pouco. Em Felixlândia, próxima a entrada da cidade na beira da estrada, encontrei um hotel razoavelmente barato por R$ 15,00 a pernoite que, apesar não ser assim uma Brastemp, quebrou o galho por ter uma cama confortável e um chuveiro quente para me limpar. Jantei uma galinha caipira bem temperada com feijão tropeiro por volta das 21h, e como estava muito cansado, fui dormir por volta das 23h.

Segundo Dia (11/01) – Acordei às 4h da madrugada e comecei a juntar as tralhas espalhadas no quarto, amarrei tudo na moto e pé na estrada. Ainda estava bem escuro e chovendo novamente. Não sei se eu que acompanhei a chuva ou ela que me seguiu, pois ficou garoando o dia inteiro. Quando o tempo ameaçava abrir e eu achava que ia ficar seco, voltava a chover. Dei uma parada em Paracatu e troquei a relação da moto que já estava ficando lisa e o freio traseiro que estava nas últimas. Também aproveitei e troquei o óleo do motor. Segui viagem tranquilamente após a manutenção preventiva. Em Brasília, peguei uma chuva muito forte, com momentos que não enxergava direito à pista. Quase me perdi e, quando voltei a pegar a estrada de Goiás, achei que não conseguiria trafegar por ela por causa da má conservação. Tinha algumas crateras que dava até para sentar dentro ou transforma-las em piscinas. O sol ameaçou aparecer fazendo com que a chuva parasse. Parei para pernoitar em Alto Paraíso de Goiás, onde achei uma pousada bem simples. Guardei a moto dentro do restaurante da pousada, porque não tinha estacionamento para os hóspedes. Tomei banho, fui jantar e logo voltei ao hotel para postar algumas fotos no Facebook e descansar para acordar bem disposto pela manhã para pegar estrada novamente.

Terceiro Dia (12/01) – Acordei assustado com o barulho da rua. Quando olhei para o lado me senti o verdadeiro branco de neve. Somente eu num quarto com seis camas… Apesar de ter acordado assustado eu estava bem disposto. Saí em busca de uma padaria que servisse um bom e reforçado café da manhã. A caminhada foi ótima para começar a esticar as pernas e apreciar o tempo. Voltei ao hotel debaixo de uma garoa bem fina. Comecei a montar a bagagem e, enquanto estava dando uma lubrificada na corrente e montando as mochilas em cima da moto, troquei ideias com Sr. Chico, um dos funcionários do hotel, que é uma figura e tanto. Ele me passou muitas informações úteis de estradas. Preparei-me para seguir viagem com roupa de chuva e tal… Neste dia acabei saindo mais tarde, por volta das 9h20m. A chuva tinha dado trégua, mas os buracos estavam cada vez maiores e perigosos, me levando a pilotar com total atenção. Onde dava pra esticar eu até arriscava, mas foram apenas alguns trechos da rodovia que apresentaram condições de rolamento tranquilo. Quando cheguei a Campos Belos/GO, a estrada estava ainda pior. Não tinha condições de andar a mais de 10/h. A minha sorte foi que a cidade era pequena. Por volta das 14h o sol já tinha mostrado a cara e a temperatura começava a subir. Dei uma parada e tirei a roupa de chuva pra refrescar um pouco, pois tudo indicava que não pegaria mais chuva no caminho. Engano meu! Uns 20 km depois de ter tirado a roupa, novamente a chuva voltou, mas como sou teimoso e insistente, acelerei e rapidamente passei pela nuvem que estava sobrecarregada. Ao final da rodovia GO-118 os buracos já não eram mais visíveis e agora sim dava para acelerar. Passei por fora de Palmas/TO pra evitar o transito e também pela entrada de Miracema / TO pelo mesmo motivo. No caminho para Tocantinia / TO, peguei uma estrada de chão batido, melhor dizendo de lama. Imediatamente me toquei que tinha algo errado. Voltei até a placa que indicava o caminho para Miracema e confirmei que estava indo pelo caminho errado. Com o erro atrasei em 14 kms a minha viagem. Acelerei pra ganhar terreno e quando cheguei a Miranorte, também no Tocantins, procurei um canto pra descansar. Depois de instalado e banho tomado, fiz uma caminhada até o restaurante mais próximo para jantar que ficava num posto. Após o jantar voltei ao hotel para o então merecido descanso.

Quarto Dia (13/01) – Sexta-feira 13, apesar de não ser supersticioso, todo cuidado era pouco. Quando acordei fui logo tomando meu café da manhã pra começar a agitação. Como a noite anterior teve lua cheia e céu estrelado, nem esquentei pra separar a roupa de chuva. Ao chegar ao pátio do estacionamento, o tempo fechado novamente, mas nem esquentei a cabeça e comecei a pendurar as coisas assim mesmo. Depois de tudo amarrado lá vou eu para a estrada. Ao longo do dia parei algumas vezes para comer. Alguns quilômetros após ter passado pelo Maranhão e já na entrado no Pará, peguei uma chuva muito forte. O dia virou noite. Foi só o tempo de dar meia volta para o hotel que havia passado a uns 7 km. Acelerei e a chuva me acompanhando na mesma velocidade. Foi aproximadamente 1h de chuva muito intensa. Por volta das 17h ainda tinha luz do dia e, como a chuva havia passado, resolvi voltar para a estrada. Começando a escurecer, percebi que o farol não estava iluminando bem, vinha em sentido contrário um caminhão cortando outro na curva e ainda por cima na subida, até parecia corrida de quem andava mais devagar, comecei a piscar farol e nada, desacelerei e o caminhão crescendo na minha frente, joguei no acostamento que só tinha meio metro e ainda por cima não tinha asfalto, era de cascalho de pedra que logo pensei: é aqui que vou ficar no chão, mas não caí e passei ileso pelos caminhões. Como estava ficando escuro, tirei a mão do acelerador para trafegar com mais segurança e atenção, mas logo atrás de mim ouvi um barulho enorme que foi de caminhão que estava colocado na minha traseira. Novamente tive que acelerar e, naquele momento, percebi que não dava para andar devagar naquela rodovia. Quando achei que o pior já tinha passado, o meu farol queimou totalmente. Não estava conseguindo enxergar meio metro a minha frente. Desviei a moto para o cantinho da pista e liguei a seta para quem vinha de frente ver que tinha alguém na estrada. Quando um carro ou caminhão passava por mim, eu colava na traseira e aproveitava a iluminação. Apesar do sufoco, consegui chegar à cidade seguinte em segurança. Rodei a localidade em busca de hotel e, depois de instalado, saí para jantar. Depois voltei ao hotel para descansar e deixar a sexta-feira 13 terminar.

Quinto Dia (14/01) – Quando acordei, fui tomar café e comprar a lâmpada do farol que havia queimado. Farol consertado, corrente esticada e lubrificada, é hora de voltar a estrada. O caminho foi tranquilo, sem problema algum e sem passar por apertos. Parei para almoçar, sem pressa, dei uma boa descansada depois do almoço pra não ficar sonolento em cima da moto. Tentei fazer contato com Pedro Paulo (irmão de um amigo), sem sucesso. Cheguei a Belém por volta das 16h. Por não conhecer a cidade fiquei meio perdido e, a única pessoa de referência que poderia me ajudar, não estava conseguindo contato. Achei um hotel bem agradável com um bom estacionamento para motos. Como precisava de informações, conversei com o recepcionista sobre melhor lugares da cidade para conhecer sem ter que andar muito. Ele me informou que para o outro lado do centro seria melhor, fui eu atrás de outro canto. No caminho, fui abordado pelo Fábio, integrante dos Abutres – MC de Belém, conversei com ele e que me informou que por onde eu já tinha passado seria realmente o melhor lugar pra ficar, pois o outro lado nos finais de semana fica muito deserto e mais perigoso. Trocamos telefones para um contato futuro e fui voltei ao hotel para guardar a bagagem, descansar um pouco e aguardar pela noite para rodar pela cidade. Fui jantar e, enquanto jantava, um senhor veio me perguntar se eu conhecia os motociclistas da cidade. Provavelmente despertei sua atenção pela jaqueta preta que eu usava. Respondi sua pergunta dizendo-lhe que não, mas mesmo assim ele me deu total atenção. José Pinto, como se chamava, conversou bastante comigo e se colocou a minha disposição, caso precisasse. Passou-me seus telefones e até ofereceu-me um lugar em sua casa para eu ficar. Do local onde estava com José Pinto, segui para o restaurante onde o Fábio estava tocando. Curti um ótimo show, a banda era ótima e, após o show, fomos a um bar chamado Lobos Bar na área das docas. Lá fui apresentado ao Rafael e Samuel com sua esposa. Quando saí de lá já era quase 5h da manhã e me perdi para chegar ao hotel. Já estava na reta para sair da cidade quando avistei um senhor correndo na ciclovia. Fui ao seu encontro e lhe pedi informação de como chegar ao Terminal Rodoviário (ponto de referência do hotel) que prontamente me passou.

Sexto Dia (15/01) – Levantei ainda sonolento e me dirigi à recepção em busca de informações para fazer turismo pela cidade. Conheci a praça principal e o Teatro. Na praça tinha feira de artesanato e muitas pessoas se divertindo. Assisti um grupo de palhaços e um bloco pré-carnavalesco que passava no local. Saí dali e segui para o porto que é muito bonito. Na verdade nem parecia porto e sim Shopping Center. Deixei a moto estacionada ali mesmo e fui andar por perto. Passei pelo mercado Ver-o-Peso, uma parte do centro antigo e o forte. O tempo começou a fechar e parecia que cairia um tremendo temporal. Voltei pra pegar a moto, pedi informações de como chegar ao hotel e segui, mas novamente me perdi. Parei em um posto de gasolina onde tinha outro motociclista fugindo da chuva que me informou sobre o caminho para o hotel e, quando a chuva passou, consegui finalmente chegar. Fui almoçar e, como a chuva tinha voltado, fui dar uma descansada. No início da noite entrei em contato com o Fábio para saber o que teria de bom para se fazer. Fui pro Reggae em uma casa de shows na área portuária. Um local bem escuro, com muitas vielas, mas tranquilo. O show estava muito bom e acabei fazendo novos amigos por lá. O Mike, que eu conheci por ali, disse-me que em outro lugar também tinha um reggae rolando. Partimos pra lá, mas quando chegamos ao local, o show já havia terminado. Fomos para outra casa de shows que estava rolando um pagode, mas quando lá chegamos o show também já tinha acabado. Para passar o tempo, ficamos conversando por algumas horas. Papo vai, papo vem, fomos para uma lanchonete no posto de gasolina onde comemos cachorro quente, só que lá o cachorro é preparado com carne moída e salada de repolho. Ao voltar para o hotel, novamente me perdi no trajeto. Quando consegui encontra-lo fui descansar para pegar a estrada logo pela manhã.

Na próxima edição, você saberá se desta vez o Sandro conseguiu pegar a estrada com tempo firme e se não errou as entradas das cidades que desejava visitar. Tudo isso e muito mais na próxima edição. Não percam!

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